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Morte e Vida Severina, animação da obra de João Cabral de Melo Neto

Morte e Vida Severina, animação da obra de João Cabral de Melo Neto


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Morte e Vida Severina é um livro de poema dramático escrito em 1955 por João Cabral de Melo Neto, um dos grandes nomes da nossa literatura. A obra, que tem como subtítulo “Alto de Natal Pernambucano”, relata a trajetória do retirante Severino do sertão ao litoral em busca de melhores condições de vida.




Morte e Vida Severina


O vídeo é uma realização da Fundação Joaquim Nabuco e TV Escola, ambos do governo federal. Ja a animação foi feita pela OZI-Filme em Brasília. A obra é toda fantástica, as imagens, as paisagens e a musica. A adaptação para os quadrinhos foi feita pelo chargista e ilustrador Miguel Falcão. O filme com uma música intensa, as imagens em preto e branco, a atmosfera pesada e dramática, preserva o texto original dos versos sa obra-prima de João Cabral de Melo Neto e conta a saga do retirante Severino do sertão até o litoral em busca de melhores condições.



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Quadrinhos Morte e Vida Severina - Clique para baixar


Veja o filme




Informações sobre o filme: Ano de produção: 2009
Duração: 52 min.
Público-alvo: Aluno
Faixa etária: 16-18
Direção: Afonso Serpa
Área temática: Diversidade Cultural, Geografia, Literatura
País de origem: Brasil
Áudio original: Áudio original
Ilustrações/HQ: Miguel Falcão
Voz: Gero Camilo
Trilha sonora: Lucas Santtana
Produção: TV Escola / OZI / FUNDAJ - Fundação Joaquim Nabuco


Trecho da obra de João Cabral de Melo Neto

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte Severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.



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